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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Competência e incompetência - exposição do lixo para coleta - Curitiba x Itajubá

CURITIBA

ITAJUBÁ

domingo, 1 de dezembro de 2013

O Rio Ivo em Curitiba

O Rio Ivo em Curitiba
Uma amiga me pediu uma opinião sobre o que fazer com o Rio Ivo, um dos muitos córregos e riachos que existem e desaparecem sob nossos pés.
O tema é fascinante e merece considerações amplas. É um ribeirão importante (a qualificação “rio” é imprópria)? Quantas pessoas são afetadas pela sua existência? Afinal o que fazer para reverter a poluição? Temos apenas restos fecais (Coliformes Fecais) e lixo? O que assusta: a cor e a viscosidade das águas ou um conjunto de características visíveis e invisíveis? Existem? Seja qual for a dimensão dos problemas e soluções, principalmente sendo pequeno e sob os nossos olhos, é didático, pedagógico pensar e cuidar dele.
Se vamos fazer algo imaginamos a questão: devemos ter preocupações com o Rio Ivo?
Os curitibanos são responsáveis?
Curitiba é uma cidade construída sobre rios e ondulações que lhe deram, no início de sua história, condições de aproveitar córregos, nascentes, umidade e topografia que lhe viabilizaram a formação da grande cidade em franco desenvolvimento que é hoje. Essa facilidade de viver entre rios e terras férteis além da posição geográfica a fizeram forte, deram-lhe saúde.
Tinha também baixadas, fundos de vale, áreas inadequadas até à proximidade humana, pois nesses ambientes além dos sapos e répteis com certeza devem ter existido bons lugares para os mosquitos.
A cidade cresceu muito, tanto pelo saneamento básico empreendido com a canalização, unificação e ocupação de espaços, aterros e cortes que mudaram suas imagens de forma radical. Até lagos artificiais construiu. Caprichosa e nunca satisfeita com sua forma natural, vive fazendo plásticas.
Mudou muito, transforma-se permanentemente em tudo o que é possível quanto por tudo o mais, que fazem dessa cidade uma futura São Paulo, talvez tão degradada e agressiva ambientalmente quanto a capital paulista.
O Rio Ivo, que nos apaixona pela passagem ainda exposta em frente à sede do Centro de Letras, é um exemplo do que pode existir quando o aprimoramento ambiental e sanitário perde espaço para diretrizes oportunistas.
Nas cidades, em qualquer lugar do mundo, a qualidade das águas é assunto sério. Rios e povoações formaram simbioses ao longo da história, pois o ser humano aprendeu a usar circuitos fluviais para o transporte de tudo e deles sempre dependeu para existir, afinal a água é essencial à nossa sobrevivência.
Essa dependência antiga e modismos atuais geraram preocupações sensatas e outras midiáticas.
Meio ambiente, ecologia, qualidade de vida para os seres humanos e cuidados com todos os seres vivos que o cercam é, contudo, uma imposição de boa ética, seja ela baseada em morais e filosofias metafísicas ou bem concretas. Ética? Podemos assim dizer para criar uma proposta de comportamento positiva do mais simples na vida de qualquer ser vivo: existir.
Nossos rios já merecem os cuidados de repartições públicas, universidades e até em escolas do nível básico, são temas mundiais e locais com destaque em leis, decretos, livros, ONGs, repartições públicas, campanhas, blogs e portais [ (Cuide dos Rios), (Associação dos Moradores e Amigos do São Lourenço),  (Bollmann) exemplificando].
Infelizmente o tema meio ambiente está a anos luz de distância de uma cultura e diretrizes razoáveis. A ausência de uma ordem universal para o ser humano talvez explique a falta de coerência de muitos militantes e a miopia de quem decide.
Questões morais e éticas são complexas, dependem de crenças e convicções. Na Engenharia, contudo, pode-se fazer afirmações inquestionáveis, independentes das crenças individuais. A Medicina, a Sociologia, muitas ciências e profissões já contêm elementos para lastrear decisões, mas quando tratamos de Leis da Natureza não encontramos alternativas, é ou não é. Assim precisamos assimilar o que aprendemos e corrigir atitudes para a construção de um futuro melhor.
Com certeza a sobrevivência humana depende da aplicação de estratégias com bases holísticas, interdisciplinares. Exatamente por isso as dificuldades enfrentadas, afinal a consciência ampla da importância da sustentabilidade é fato recente, inédito.  A Humanidade gastou muito tempo se preparando para morrer, esqueceu-se de viver e ajustar a Terra para gerações futuras, afinal o fim do mundo era próximo...
E a poluição? Esse é um tema inacreditavelmente mal definido, conceituado. Lamentavelmente tornou-se importante à mídia política, pessoal, coletiva, industrial, moral etc. Que desastre! Marquetagem irrefreada inibe a racionalidade. É até divertido ler e ver a imprecisão na Wikipédia da expressão do verbete (Poluição) de onde extraímos “Por poluição entende-se a introdução pelo homem, direta ou indiretamente de substâncias ou energia (destaque nosso) no ambiente, provocando um efeito negativo no seu equilíbrio, causando assim danos na saúde humana, nos seres vivos e no ecossistema ali presente.”
Energia é ou pode ser poluição?
A Natureza, o meio ambiente se transforma permanentemente por inúmeras razões. Qualquer “crime” de todos perde capacidade de motivação. Leva a ações diversionistas, a comportamentos superficiais. Diante do inevitável, o que fazer? Simplesmente existindo o ser humano altera o meio ambiente, assim como os dinossauros o fizeram e as baratas continuam produzindo.  Energia? Que palavra mal usada, o grau de ignorância pode ser aferido por aí.
Devemos medir e identificar fatores de poluição, visíveis e invisíveis. Exatamente aí a água[1] é um ambiente notável pela capacidade que tem de dissolver, conter, transportar metais pesados, substâncias tóxicas, radioativas, etc., lixo, venenos de diversas espécies, alguns já identificados e passíveis de medição e ações corretivas, outros não[2].
No Paraná temos o exemplo de Adrianópolis  (BARROS, 2008) que é uma pílula diante do que existiu no Japão (Desastre de Minamata) e vemos acontecer em Fukushima.
Felizmente e gradativamente cria-se uma cultura técnica objetiva que precisa ser conhecida e debatida intensamente. Encontramos trabalhos para diversos padrões culturais que merecem leitura atenta [(Poluentes inorgânicos - Fontes de emissão - Química das águas QFL 3201, ), (Poluição Ambiental por metais, 2012)].
É triste saber que o Rio Iguaçu é o segundo rio mais poluído do Brasil [ (Rios mais poluídos do Brasil) entre os grandes cursos d’água sujeitos a monitoração] e lembrar o que aconteceu em suas margens ao longo do século 20, quando a industrialização na Região Metropolitana de Curitiba veio ocupando áreas de preservação ambiental, a invasão e ocupação de baixadas e estagnação recente da concessionária de saneamento básico absorvida por diretrizes e questões secundárias atrasou programas essenciais. À jusante o desmatamento desenfreado e a utilização aleatória da terra fez o resto.
Os rios paranaenses mostram agudamente os efeitos da agricultura, pecuária e da agroindústria sem vigilância e respeito ao meio ambiente e a omissão de autoridades que poderiam agir de forma eficaz.
Em Curitiba e RMC bairros inteiros apareceram em regiões extremamente sensíveis, pois estão em fundos de vale, áreas planas e todas em torno das nascentes do Rio Iguaçu. Ou seja, o saneamento básico dessas regiões cresce exponencialmente de custos. A jusante o Iguaçu quase para, espraia-se num ecossistema que mereceria máximo respeito.
O Rio Iguaçu não desce a serra para o leste, ao contrário, inflete para o interior, oeste.
Em Curitiba e sua Região Metropolitana grande parte de seu território não mostra desnível natural, o lençol freático é baixo, o crescimento da ocupação do solo não foi disciplinado com rigor, o Rio Iguaçu está praticamente em suas nascentes e a RMC continua atraindo migrantes dentro de um processo de crescimento acelerado. Análises e classificações técnicas merecem considerações circunstanciais (RANKING DO SANEAMENTO - INSTITUTO TRATA BRASIL - RESULTADOS COM BASE NO SNIS, 2011), pois seus autores normalmente ignoram catástrofes humanas e naturais que inibiram bons serviços e empreendimentos essenciais... A realidade, contudo, é cruel.
Qualquer aglomeração humana tem limites de desenvolvimento (ANDREOLI, DALARMI, LARA, & ANDREOLI) exceto se puder pagar por soluções extravagantemente mais caras. As grandes e belas cidades que conhecemos surgiram em tempos de exploração de colônias e/ou de seu próprio povo, inviabilizando moradores antigos à medida que os impostos, os alugueis e até a pura e simples segregação redistribuíram moradores. A capital de São Paulo discute agora, por exemplo, essa questão, quando decide aumentar impostos para poder pagar serviços essenciais à megalópole.
O intrigante é ainda não termos no Brasil uma estratégia de descentralização de seu desenvolvimento e formação de núcleos urbanos. O  (Programa Mais Médicos) mostrou, demonstrou, viabilizou a compreensão cabal, material e inequívoca dos piores efeitos da política de concentração humana no litoral e em torno de poucas cidades no interior. O Brasil tem espaços já degradados onde a reinstalação de capitais de estado, sugerindo, poderia induzir uma frenagem urgente em capitais que agora demandam bilhões de reais para ajustarem seus serviços essenciais, sempre insuficientes e ruins, de modo geral. Novas tecnologias e critérios de urbanização aparecem [ (Cascaes, Brasil 2050), (Cascaes, Reurbanização Inclusiva), (Bike Way by the World Exemplos, modelos para todos) etc.]; demandam tempo, contudo, para um bom amadurecimento. Nada impede, entretanto, que a sensatez volte à cabeça de nossos líderes e eles assumam posturas racionais e atinentes à sustentabilidade necessária, possível e justa.
O Brasil é um país em construção e pode evitar desastres advindos de atividades mal fiscalizadas, improvisadas e sem planejamento. O século 21 será complexo e com o nível de conhecimentos já existente não teremos o direito à ignorância.
O desafio da sustentabilidade é complexo e demanda tremenda vontade política para ser vencido.
A compreensão da saturação ambiental e a percepção de sua dimensão é fato novo, valorizado após o final de intermináveis estratégias militares que criaram processos gigantescos de mútua destruição em tempos de guerras “quentes” e “frias”. Quantas bombas atômicas e de hidrogênio foram detonadas? Quantos arsenais estáticos e móveis (submarinos, aviões, navios) ainda existem?
 A insensatez humana não tem limites e se manifesta até em atitudes mínimas de seu dia a dia. O consumismo é flagrantemente agressivo ao meio ambiente. A obsolescência que é planejada até pelos governos atrelados a lógicas capitalistas irresponsáveis produz mais e mais automóveis, celulares, televisores, roupas, etc., tudo é feito não porque realmente precisamos disso ou daquilo, mas para engrenar um mundo que não sabe (ou não quer) encontrar alternativas de viabilização econômica da vida humana de forma sustentável.
É interessa lembrar, por exemplo, que a vida útil e a eficácia de sistemas de esgoto e até de energia dependem muito da manutenção (Esgotamento Sanitário - Operação e manutenção de redes coletoras de esgotos) e utilização planejada, o desprezo pela manutenção e hábitos adequados pode simplesmente entupir ou reduzir drasticamente a vazão (Bola de gordura gigante é retirada do esgoto em Londres, 2013). Encanamentos entopem de forma semelhante às nossas coronárias e a constelação de usinas, fontes de combustíveis etc. serão obras e programas em expansão intermináveis se não soubermos evitar desperdícios. Adianta reclamar de hidrelétricas quando não cuidamos nem de desligar luzes inúteis?
Chegamos, pois, a um ponto de compreensão, constatação e decisões estratégicas que no futuro serão apontadas como bem aplicadas ou não.
Queremos inviabilizar o futuro de nossos descendentes? Se não, se desejamos sobreviver é hora de mudanças de rumos e de valorização da vida humana, se isso for importante realmente.
Nossos rios merecem respeito.
 E o Rio Ivo?
Com certeza ele e outros merecem campanhas de vigilância e ações de manutenção de qualidade e valorização de tudo o que depende deles.
Todos os rios eram ambientes ricos em plantas, peixes, animais em seu entorno. O Rio Ivo, tributário do Rio Belém que por sua vez deságua no Rio Iguaçu, este se jogando majestosamente no Rio Paraná que lá longe formará o Rio da Prata em parceria com o Rio Paraguai para, finalmente, chegar ao Oceano Atlântico é, portanto, um modesto contribuinte de uma bacia hidrográfica gigantesca, sul americana por excelência.
É pouco pensar apenas no Rio Ivo, mas é muito importante educar, ensinar tendo um laboratório tão perto de nós que vivemos na capital do Paraná.
Para começar deveríamos pedir e promover análises físicas e químicas e biológicas desse riacho ao longo de seu curso. O que apresenta? Que mistérios escondem as suas águas?
Paralelamente valeria a pena conhecer melhor a RMC. Visitas, fotografias, filmes e reportagens podem formar um arquivo sentimental, técnico e educativo. Que tal um concurso de imagens, sons, textos, livros?
Produzir livros e blogs é fácil para aqueles que sabem escrever e pensar. O fundamental é introduzir na mente de todos mais conhecimentos necessários à importantíssima cidadania que esperamos encontrar entre pessoas amantes do lugar em que vivem. Mais ainda, não podemos perder tempo, temos que agir.
Tudo com certeza demanda um esforço de convencimento, persuasão.
O Rio Ivo tem história, ele e o Belém foram cobertos, canalizados para a viabilização de Curitiba. Quando? Como? O que acontecia e agora o que existe?
Os mais velhos devem até possuir fotografias que poderiam entrar para um acervo de utilidade pública além de ponderações valiosas, opiniões que poderão ser registradas até em filmes e colocadas em blogs e portais para acesso irrestrito de todos que se interessam pelo meio ambiente.
Uma coleção de trabalhos pode surgir a partir de uma liderança proativa e cidadã.
É só querer, querer é poder como não cansa de dizer nosso Companheiro do Lions Clube de Curitiba Batel, Professor Tosihiro ida.



Cascaes
1.12.2013

Bola de gordura gigante é retirada do esgoto em Londres. (7 de 8 de 2013). Fonte: RFI: http://www.portugues.rfi.fr/geral/20130807-bola-de-gordura-gigante-e-retirada-do-esgoto-em-londres
Aline Nardi, A. S. (s.d.). Poluentes inorgânicos - Fontes de emissão - Química das águas QFL 3201, . Fonte: USP: http://www.usp.br/gpqa/Disciplinas/qfl3201/Pol_Inorgap.pdf
ANDREOLI, C. V., DALARMI, O., LARA, A., & ANDREOLI, F. (s.d.). LIMITES AO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA, IMPOSTOS PELA ESCASSEZ DE ÁGUA. Fonte: SANEPAR: http://www.sanepar.com.br/Sanepar/Gecip/Congressos_Seminarios/Gestao_de_mananciais/Limites_ao_desenvolvimento.pdf
BARROS, Y. J. (2008). INDICADORES BIOLÓGICOS DE QUALIDADE DE SOLOS DE ÁREA NO MUNICÍPIO DE ADRIANÓPOLIS (PR). Fonte: UFPR: http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/bitstream/handle/1884/20199/DISSERTACAO_130809_PRINT.pdf?sequence=1
Bike Way by the World Exemplos, modelos para todos. (s.d.). Fonte: Bike Way by the World Exemplos, modelos para todos: http://worldbikeway.blogspot.com/
Bollmann, H. A. (s.d.). Rio Belém. Fonte: Rio Belém: http://riobelem.blogspot.com.br/
Cascaes, J. C. (s.d.). Fonte: Reurbanização Inclusiva: http://reurbanizacao-inclusiva.blogspot.com.br/
Cascaes, J. C. (s.d.). Fonte: Brasil 2050: http://brasil-2050.blogspot.com/
Coliformes Fecais. (s.d.). Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Coliforme_fecal
Cuide dos Rios. (s.d.). Fonte: cuide dos rios: http://www.cuidedosrios.eco.br/
Desastre de Minamata. (s.d.). Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Desastre_de_Minamata
Gesner Oliveira, P. S. (2011). RANKING DO SANEAMENTO - INSTITUTO TRATA BRASIL - RESULTADOS COM BASE NO SNIS. Fonte: Trata Brasil: http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/uploads/pdfs/relatorio-completo-GO.pdf
Júnior, I. V. (s.d.). Esgotamento Sanitário - Operação e manutenção de redes coletoras de esgotos. Fonte: UNIPAC: http://www.unipacvaledoaco.com.br/ArquivosDiversos/operacao_e_manutencao_de_redes_coletoras_de_esgotos.pdf
Leme, C. P. (s.d.). Associação dos Moradores e Amigos do São Lourenço. Fonte: AMA São Lourenço: http://www.superviadigital.com.br/ama.htm
NASCENTES, C. (2012). Poluição Ambiental por metais. Fonte: Ambiental Sustentável: http://ambientalsustentavel.org/2012/poluicao-ambiental-por-metais/
Poluição. (s.d.). Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Polui%C3%A7%C3%A3o
Programa Mais Médicos. (s.d.). Fonte: Portal da Saúde: http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/area/417/mais-medicos.html
Rios mais poluídos do Brasil. (s.d.). Fonte: Pensamento Verde: http://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/rios-mais-poluidos-do-brasil/







[1] Grande parte das doenças que se alastram pelos países em desenvolvimento são provenientes da água de qualidade insatisfatória. As doenças podem ser de transmissão hídrica ou de origem hídrica. E são causadas por agentes químicos ou biológicos.
(Água e Saúde)
[2] A variedade de contaminantes é enorme, e os mais importantes são os metais pesados (como chumbo, arsênio, cádmio e mercúrio); agrotóxicos (nitratos, compostos organoclorados, organofosforados ou carbamatos) e compostos orgânicos voláteis (como produtos combustíveis e solventes halogenados).
(Água e Saúde)